É vergonhoso. Esta seria uma definição sem exageros para a forma com que a Prefeitura de Belém lida com a problemática do lixo na cidade, principalmente, nas áreas periféricas. Num contexto de falta de ordenamento e qualidade nos serviços de coleta pública de resíduos e entulhos, a ilha de Caratateua (Outeiro) protagoniza este cenário sujo e preocupante. São inúmeros pontos de descarte de lixo doméstico improvisados e presentes nos 7 bairros que compõem a ilha. Como se não bastasse o lixo produzido por cada um de nós diariamente, encontramos nas ruas, ainda, grandes volumes de lixo eletrônico e orgânico. Este último pode ser observado na rua das Mangueiras, no bairro São João, com grandes volumes de mato e cortes de árvores que chegam a ocupar o meio da via que, apesar de larga, também tem perdido espaço para os enormes buracos que têm se formado.
Já na avenida Beira Mar, no bairro da Brasília – via onde está localizado o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), a situação se agrava. Tem cascos de geladeira jogados no local com lixo disperso a metros e metros do ponto de descarte irregular bem ao lado da praia, é o que revela a imagem enviada pelo seguidor Espírito Santo, artesão e morador de Outeiro, que sempre marca a TV Outeiro nas redes sociais em belos registros de paisagens da nossa Caratateua, mas Infelizmente dessa vez, o registro é um contraste daquilo que o Espírito Santo gosta de fotografar.

Esses pontos para descartar o lixo, muito comum de serem encontrados nos cantos das rua, existem por não haver a coleta domiciliar – aquela em que o gari faz o recolhimento dos sacos de lixo de porta em porta. Assim, a alternativa para o serviço de limpeza é levar os resíduos desses pequenos lixões e a partir das vias principais. Os moradores reclamam da sobrecarga e da quantidade de lixo depositado nesses locais, que não contam sequer com lixeiras para conter o volume e a ação dos animais – cães, gatos e urubus, que espalham o lixo e transformam o problema cada vez pior de ver e conviver. A implantação de lixeiras seria fundamental para pelo menos minimizar o espalhamento da sujeira, mas a Administração Regional do Outeiro (Arout) parece não ter esse conhecimento, tampouco a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). No começo do mês, esses órgãos estiveram realizando uma ação de limpeza na rua do Lapinha (Fotos abaixo), próximo à praia Grande, e retiraram uma grande quantidade de lixo. A Arout exibe a benfeitoria nas redes sociais usando o efeito “Antes e Depois”, mas sabendo que ali é um ponto de descarte para as comunidades próximas à praia, inclusive dos barraqueiros, faz questão de mostra o seu “Depois” sem nenhuma lixeira colocada no local.


Nem mesmo os locais de lazer na ilha, como o frequentado Pistão, no bairro da Água Boa, tem se livrado de ter um “lixão a céu aberto”. A TV Outeiro esteve no local e constatou dois grandes pontos de descarte irregular no Pistão, e um deles ocupa a metade de uma das ruas do entorno da praça. Uma matéria como esta não é capaz de mostrar o tamanho do problema enfrentado pelos(as) moradores(as) da ilha de Caratateua no que diz respeito à coleta pública de lixo, mas a TV Outeiro fará grandes esforços para cobrir esse tema. Manteremos a pauta necessária na programação para que possamos discutir com a comunidade e contribuir na cobrança de uma solução por parte do poder público.
